O hipismo em Brasília

      Em um local um tanto quanto escondido, entre a rodoviária e o zoológico, encontra-se a Sociedade Hípica de Brasília (SHBr), um ambiente agradável, cheio de árvores e cercado de verde, com muitas sombras e espaços abertos. Com aproximadamente 60 funcionários e quase 200 cavalos, o local é tanto um clube onde pode-se fazer festas ou praticar hipismo em qualquer uma das duas escolas. 
     No Distrito Federal, o esporte existe praticamente desde a criação da cidade, considerando que Brasília foi fundada em abril e, a SHBr, em setembro. Existem escolas de hipismo espalhadas por todo o território da capital, com um número considerável de alunos.
     A presidente da SHBr, Devaguacy Lima, de 64 anos, considera a prática um exercício desafiante. “O atleta no hipismo precisa desenvolver uma capacidade de concentração e de domínio muito grande. Em uma pista, ele tem que saber dominar o cavalo, ver a sequência de obstáculos e o tempo para fazê-los”, afirma. Quando inquirida sobre a estima do esporte, é veemente em negar a sua impopularidade. “Nós não consideramos o hipismo um esporte não popular. É um esporte que as pessoas têm uma certa resistência por pensarem no custo dele. Realmente é um esporte caro, mas acessível”, confessa
     Apesar da afirmação de Devaguacy, a acessibilidade do hipismo tem espaço para questionamento. As mensalidades das aulas são a partir de R$ 210,00 ( treino uma vez por semana ), sem contar o custo com os materiais necessários para a prática (calça, capacete, luvas, chicote).
     De acordo com Luiza Khodr Furtado, 31 anos, diretora e professora de uma das escolas de equitação, o custo elevado da equitação se dá pelo fato de ser um esporte que envolve um animal. Além dos custos necessários para cuidar de si, o cavaleiro/amazona também precisa cuidar de seu cavalo, o que pode não ser barato. Luiz também conta que em sua escola existem mais de 250 alunos matriculados, de todas as idades e classe socais.
     Mas então, se é um esporte pouco acessível, por que existem tantos praticantes aficionados por ele?
     A resposta para essa dúvida encontra-se na própria cultura da equitação. Segundo Devaguacy, “o hipismo é um esporte apaixonante. Pela interação com o cavalo, o desafio de estar competindo, o desafio de dominar o animal. A gente vai se envolvendo, e acaba todo final de semana vindo pra cá. É um esporte que une família”. A professora Luiza afirma que a prática é benéfica para crianças por promover a interação com um ser vivo e com a natureza e ensinar responsabilidade e paciência. Já para os adultos, o contato com o cavalo é quase como uma terapia, uma pausa em suas vidas ocupadas e frenéticas.
     Outra possível explicação para a paixão que os praticantes de hipismo demonstram pode vir de laços criados na infância. Grande parte dos alunos das escolas começou a montar quando crianças e nunca mais deixaram de frequentar.
      
Qualquer que seja o motivo, a comunidade de equitação é ferrenhamente leal ao seu esporte, dedicando tempo e dinheiro para a sua prática. O local agradável e relativamente isolado da SHBr também contribui para que se tenha a sensação de entrar em um novo universo ao passar por seus portões. Enquanto se interage com um cavalo, é fácil esquecer-se do ritmo e barulho de Brasília.




Tratador passa uma lâmina nos pelos do cavalos para apará-los. Trabalho faz parte do cuidado diário que os animais recebem. Cada tratador pode cuidar de no máximo 8 cavalos.



Cavalo fica em sua baia enquanto não é montado. A selagem é função dos tratadores.



Cavaleiros retornam do treino e levam seus cavalos às baias.



Existem diversos tipos de objetos necessários para a equitação, além dos de uso do cavaleiro/amazona.



Cavalos posicionados para a limpeza após serem montados.



Amazona direciona-se para as pistas de treino após pegar o seu cavalo já selado.



Existem 120 cavalos estabulados de propriedade dos sócios da SHBr. 



Após os treinos, os cavalos tomam banho dado pelos tratadores, são escovados, alimentados e devolvidos às suas baias.



Cada cavalo é próprio para um tipo de modalidade da equitação. A mais famosa em Brasília é o salto.



Amazona direciona-se às baias após o treino para a devolução de seu cavalo. Na Europa, o cuidado do animal é feito pelos próprios montadores.



Além dos tratadores, existem veterinários que tratam a saúde dos cavalos. Apesar de sua aparência imponente, são animais de saúde frágil e que precisam de cuidados específicos.



Amazona aquece o seu cavalo dando voltar em torno da pista, ganhando ritmo para os saltos.



As competições são niveladas a partir da altura dos obstáculos que a dupla precisa saltar.













Comments

Popular posts from this blog

Pauta-Nathália Caeiro